22.12.11

Do You Love Me Still?

"I have thought that you have come back lately
You take my soul away from me
'Cause when I see you
You rip my heart out
But all the same you're not to blame
Baby, baby, I love you still"

Ando de carro e meu coração despedaça enquanto, nas estradas, os carros passam cheio de pessoas dentro, com esperanças para as férias, para o natal, ano novo. Ano novo, ideias velhas.
Ano novo, meu único amor.

Sabe, é o tipo de coisa que não se evita: passar o tempo, as palavras nos derrubam, as ações nos quebram o coração. Existem outras pessoas, outros rostos, outros assuntos. Mas existe a minha pessoa, que fala sobre tudo o que eu quero ouvir: ele inteiro e completo. Ele que de mim tem tudo. Por mais coisas que aconteçam, quando vejo algo a ser compartilhado é ele que exclusivamente vai entender.
Ele que tem tudo de mistério, que me esconde coisas por debaixo dos olhos limpos castanhos. Olhos mais lindos que eu já vi. Sorriso que se eu alcanço, tenho o céu.
É difícil encontrar um amor, um amor de verdade, assim. Que faça doer e ao mesmo tempo da dor, uma alegria imensa de ver, de cheirar, de estar.
Amor assim eu não encontro. É doentio, é passional, bem sabemos. Que é difícil ficar junto, mas é impossível ficar longe.
É necessidade, um pedaço do meu corpo. Inevitável.

17.12.11


"Sempre sei, realmente. Só o que eu quis, todo o tempo, o que eu pelejei para achar, era uma coisa só - a inteira - cujo significado e vislumbrado dela eu vejo que sempre tive. A que era: que existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada uma pessoa viver - e essa pauta cada um tem - mas a gente mesmo, no comum, não sabe encontrar; como é que, sozinho, por si, alguém ia poder encontrar e saber?"

Porque senhor, dentro de mim eu carrego um mundo. Sem mais: há um mundo dentro de mim.
E o que eu sinto de mim, oh senhor, é pena. Tanta pena que no meu mundo há chuva de lágrima. Sim, chuva de lágrima toda a vez que me apercebo dentro de outros mundos que não são meus.
Sinto, sinto tanto, senhor, quando volto de ônibus e só sei notar nuvens com seus tamanhos, com a tanta chuva - essa de alegria do céu - que vem molhar toda a minha semi-dor de viver longe de mim. Longe desse mundo de dentro, que pulsa, em noites como essa, de maneira a me deixar sem sono e pensando na mesquinharia que a vida alheia se torna. Mundo aqui de dentro sabe que um dia ganhará asas. Mas por enquanto aquieto: silêncio vida minha, não tenha pressa que logo tudo passa.
Meu mundo é uma ave, e tal como, voa desesperadamente em busca do sonho de se tornar um mundo sólido: um pássaro voando no céu, sem medo de nuvens de tristeza.
"Eu vivo no infinito, o instante não conta." O instante, oh mundo meu, vai logo passar. Aquieta coração, as vicissitudes são necessárias. Eu bem sei que não é esse o meu caminho, bem sei que a vida - talvez até o mundo dos outros - me trouxe pra cá. Mas mundo, vasto mundo, te acalma. Em mim tu jamais morrerás. Eu te mantenho vivo nessas caladas noites, com pouco luz. Te mantenho vivo, nua que seja. Te mantenho em mim, porque é só contigo que eu, tão pequena, vasto mundo, sobrevivo.
Meu mundo. Eu bem sei, senhor, que tu carregas um sertão em si mesmo, e que, assim como eu, mantinha sua alma, regava sua alma, feito flor (meu mundo feito ave), mas senhor, sei que tua vida tomou também outros rumos, afinal, essa é a vida da gente, um dia gosta, um dia desgosta. Um dia aqui, outro acolá e em breve me pegarei totalmente fora daquilo que eu sou. Mas como tu, meu senhor, não hei de deixar de sonhar com aquilo que já vivi, com as lembranças que o meu vocabulário me falta, com as andanças que eu já fiz, mas que sequer toquei com meus pés o barro da estrada.
Aqui estou, mas daqui não sou.

Alimento minha ave, meu mundo, senhor. Pois sem ela, tampouco sei quem sou.

30.10.11

Ninguém responde, a vida é pétrea.


Itabira do Mato Dentro.
Dentro de quê mato? Do mato? do peito? Ou: mato! Por dentro.

Nasceu, com sinos mineiros tocando. Nasceu aquele que nunca vi, mas sinto, senti, sentido, todo o tempo, como o tempo que só o relógio (não) tem. Nasceu, viveu e morreu.
Pois essa é a vida, homem: poucas escolhas, muitas reflexões e nenhum sentido.
Fazer poesia. Poesia não é rima, não é exaltação. Escrever não é morrer de amor, tampouco o amor em si. Escrever como quem morre... não, isso ainda não é poesia. A verdadeira poesia chegou depois.
Fazer poema não requer conhecimento exato e imediato, e nem sentimento de dor profunda, emoção exaltada, dores e movimentos peristálticos em cada linha. Fazer poesia é olhar e entender o poema. Fazer poesia é pelos olhos de Drummond.
"A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos." Mas Drummond, hoje é domingo e amanhã é o seu aniversário! Hoje é domingo, e há solidão. Não há mais palavras suas, não está mais em busca, gauche. Como conceber que você, oh Drummond, não está mais em busca da poesia? Se você se chamasse Raimundo... Seria uma rima, e quanto a solução "nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste."

Pois te foste. Mesmo que amanhã seja teu dia, te foste. Mas, meu coração ainda não está seco, e a tua ausência, oh poeta, dessa ausência musicou:
"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."

Drummond, a ausência da ausência não é uma negação filosófica. Mas teus ombros suportaram o mundo. E tenho as mãos de criança.

12.10.11

Desate o nó.

Conheci uma pessoa linda. Me apaixonei de imediato, pois ele tinha tudo o que eu queria. Queria tudo o que nele havia pra minha vida. As roupas certas, o correto jeito de andar e de falar. O perfeito gosto musical, o perfume perfeito, as palavras perfeitas. O melhor beijo que eu senti na minha vida. O melhor abraço. Era ele, a minha principal pessoa, o meu escolhido: meu amor, era tudo o que queria.
Não aguentava de felicidade em tê-lo, não cabia em mim toda a paixão e eu... flutuava. Andava em nuvens, como todos os apaixonados e era tudo verdade. Era recíproco.
Tocava violão pra mim (sempre as músicas certas...) fazia tudo que me deixava louca. Sorria, brincava e eu nunca rira tanto, talvez.
Conheci tudo com ele. Pensei que havia conhecido o meu anjo. Pensei que tudo o que eu fazia era certo, que tudo o que via nele era realmente belo e que havia sinceridade em todas as palavras. Um casal feliz. Casal alegre, bonito.
Sempre do meu lado, ficava o meu anjo. Quando eu chorava, e até quando eu enlouqueci.
Quando eu soube coisas desagradáveis e quando senti ciúmes pela primeira vez.
Ele me dizia coisas do tipo: "amor, você é um anjo! Adoro ficar contigo o tempo TODO, amo os teus beijos e abraços, amo você... florzinha da minha vida. Pra sempre."
Eu sempre soube que o pra sempre nunca existe. Sempre soube, mas preferi, uma vez mais, me iludir e acreditar, e acreditar, acreditar. Cega que sou! Fingindo uma nobreza que eu não tenho. Fingindo não amar sempre mais e sofrer sabendo do fim.
A gente entra num amor inteiro, mas sair, eu insisto em sair aos pedaços.
E ver o fim, ah o fim. Por que o fim?
Pela primeira vez me magoou até eu sangrar. Pela segunda, pela terceira foi ainda pior. Mas ele dizia me amar, ainda.
Nunca vou esquecer, a gente, voltando do mercado e ele me disse: "tu agora pode não estar comigo, mas eu vou ficar contigo pro resto da vida". PRO RESTO DA VIDA. Disse que ia fazer de tudo pra eu continuasse com ele. Era óbvio que isso era tudo o que eu queria. Era óbvio que mais uma vez eu me iludia e acreditava nas palavras de um amador. Um novato? Talvez eu soubesse algo a mais: pra sempre, dito assim, não existe. Pra sempre... e num reflexo de um amor-perfeito tudo tentou ser como antes.
Como no começo. Mas eu agora amava mais, diferente mas amava tanto. Sorria, o tinha... tinha-o em partes. Seu olhar já não se cruzava corretamente com o meu, ele até falou de outras. Fazia coisas que antes não fazia. Nunca mais disse que me amava, com o tom de voz bem baixo, pra sabermos o quão perto estávamos. Agora AMOR era dito aos gritos, os corações já distantes. E tudo foi mudando, luas passando. Eu sempre em busca do olhar do anjo. Ele... Quem sabe dizer? Quem sabe dizer onde meu anjo foi parar? Lembrava de uma música, que ele me escrevera (essa eu não posso escutar), que dizia assim: "eu sei que às vezes é difícil partir, seja pra onde for. Mas saiba que estou esperando você, de dia, de noite, sem onde nem porquê. Onde estiver, que se faça presente. Volte logo, volte sempre pra mim". (soluços)E agora, esses dias, ele disse que me esperaria. Esperaria o tempo que fosse pra eu me curar. Curar as asas de anjo, pra que pudesse voar ao seu lado. Voar do seu lado.
Eu sabia que ia cometer um erro, quem não comete? Sabia que ao voltar atrás, ao desrespeitar a minha intuição, algo muito ruim aconteceria. Sabia que voar com as asas machucadas me faria cair. E eu estava tão alto...
Eu já estava avisada. Era triste, mas pensei que dessa vez seria diferente, afinal, ele era meu amor. Meu amor pra sempre...Ele me prometeu.
Ele mentiu tantas coisas, não só pra mim, todo o tempo mentia. Mentia. Será que a verdade doía?
A verdade doeu quando eu soube. Quando eu soube que não deveria ter voltado atrás. "Mas você não aprende menina?". Das outras vezes haviam sido iguais, e eu era mesmo tão cansativa assim... Tão triste assim, que dói tanto saber que mais uma vez eu cometi os erros de sempre. E que mais um amor se foi.
Pra sempre.

11.10.11

Acabou.

Agora sim: gritem e batem palmas, porque acabou.
Acabou o riso, o choro, os olhares, beijos e abraços. Acabou a gargalhada fagueira, o almoço e a janta. Acabou.
Acabou com lágrimas, porque sempre dói mais pra um. Acabou por mentiras, por outras pessoas, por tanta coisa acumulada: acabou.
Acabou e o coração dilacerado insiste em pensar, em querer, em pedir, em enciumar-se e voltar atrás. Mas, uma vez acabado, é acabado sempre.
Acabou o violão. Acabou o perfume e os presentes. Acabaram-se as flores, e começaram as mágoas, os rancores.
Acabou o eterno amor. Acabou, mas ninguém decidiu isso. O tempo acabou com a eternidade. Destruiu o que sobrou. A noite destruiu, a cerveja deteriorou.
Se foi o que era justo. Por que? Por não saber.

21.9.11

Qual era a palavra?


Se fosse por ser, céu não haveria.
Por amor, só com guia.
Rima rica, rima pobre. De noite bem,
lua amena, por dias: horas frias.

Seria vocação a palavra que ela precisava lembrar? Talvez não, com a confusão na mente, com alergia e falta de sono, a palavra certa (aquela poderosa e unânime que descobrira numa tarde de sábado) havia sido esquecida nos recônditos da mente, juntamente com o que tinha feito lá pelas 14:00h de ontem. Por isso se atrasou hoje? Por que não lembrava a palavra certa na linha de pensamento que precisava ser desenovelada naquele instante e não, enfim, depois como tudo o que guardava, e ah! como acumulava coisas em sua mente de papel já que a de sangue falhava. Falhava, disseram, por ser representativa. Ora essa, disseram-lhe também que amar/gostar/chorar não se escolhe hora e nem lugar, porém ela tinha a legítima certeza de que tudo depende de algo além do sangue, do cérebro e até do pensar: depende da vontade exclusiva. Seria "vontade" a palavra agora? Não, absolutamente. "Inclusive o "sentir" era representativo?" Perguntaram os que antes disseram.
Limitando-se a olhar para os dedos ela disse (talvez tenha dito com os olhos, sabe, as palavras silenciosas...) que sentir frio era ocasional, mas sentir choro era intencional. Oh!!! Ruflem os tambores, visto que a palavra é: INTENÇÃO.
E para essa, não cabem as mil palavras.
Ela concluiu, deitou e sonhou.

1.7.11

No bilhete que foi encontrado em cima do criado mudo cor de laranja:
"Do meu amor, eu não trago nada. Somente palavras, sentimentos e os olhares.
Do meu amor, sou toda e inteira, de forma, peso e maneira.
Não preciso mostrar, tampouco falar. Provar? Quando se está muito convencido de algo, as palavras fluem naturalmente, sem precisar de mil argumentos, sem precisar de cansaço (de si mesmo e dos outros).Com alegria um amor é feito e calado. É somente dois, sem mais. Sem opiniões, com clareza - sem desvio. Amor é silêncio."

Era preciso ler cada palavra, analisar cada detalhe para que pudéssemos encontrá-la. Há uma semana, três dias, e seis horas ela fora vista saindo de casa, descendo as escadas, cabelo penteado e baton vermelho. Jamais sairia desgrenhada, mesmo que estivesse descontrolada. Se fosse suicídio, teria ido ao salão de beleza, feito as unhas e organizado sua vida inteira. Pelo menos diziam isso as pessoas mais próximas. A hora da morte era crucial: se planejada poderia ser perfeita.
Porém, nada melhor que uma morte para definitivamente calar um amor. Cansada de esperar, cansada de viver com pessoas, gente, humanos, falando, sempre, falando demais sem nunca parar para pensar, sem deixar ter um tempo - pequeno que fosse - para se pensar, sem calcular uma resposta que infelizmente estaria alí na ponta da língua agora e já. Era um tormento viver com pessoas que querem provar coisas o tempo todo. Como se dissessem: eu amo mais. Ou: Sei mais sobre as experiências da vida, por isso o meu gosto é melhor que o teu. Coisas banais e sem lógica, como se a vida fosse simplesmente falar e ter experiências, não necessariamente nessa ordem, e OPINAR, meu Deus, como as pessoas opinam sobre coisas que desconhecem e como falam, oh, como emitem sons e não entendem o que é o amor.
Tudo isso estava sendo constatado a partir de seus diários. Precisávamos de muitas informações para talvez descobrir o paradeiro desta mulher tão enfadonha e misteriosa.
Por que fugira ela? Por que fogem as pessoas? Essa pergunta era fácil demais. Todos desejamos, mesmo que inconscientemente, uma forma de misantropia, viver isoladamente, mesmo que seja por pouco tempo. Porém, levar isso a fundo é uma coragem.
Talvez até um amor.
Talvez ela tenha cruzado ruas - tuas ruas - em busca de um quê de algo que definitivamente faltava naquela vidinha totalmente normal que ela levava. NORMAL. Pessoas normais surtam, normalmente. Ou fogem. Talvez morram ser nunca ter nascido. Segundo nossas pesquisas ela não havia sido raptada, nada de algo a contragosto, visto que o bilhete deixava exposto que ela estava cansada de opiniões acerca de seu amor. Ou não seria isso? Essa mulher deixava seu trabalho num escritório, suas plantas e um gato. Tal gato fora deixado para fora da casa no intuito de poder chegar até a vizinha que o alimentava esporadicamente, quando ela ficava um tempo a mais no seu trabalho. A vizinha fora entrevistada e só mostrava seu apreço pelo famoso bichano, pouco conhecia a mulher, dona de saudoso felino que ronronava com seu lânguido olhar.
Sua "fuga", que nesse contexto era um desaparecimento, era premeditada. Na vitrola, Caetano. Na gaveta, seus trinta e poucos anos.
Na história, um sumiço sem jeito.

Mais de um mês e nem uma notícia. O gato acabou sendo adotado, definitivamente, pela vizinha.

2.4.11

o insuportável mau cheiro da memória.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.


É comovente essa história de você não enxergar direito quando se passa um bom tempo sem os óculos, mas não há desculpa alguma para aquele sorriso indiscreto na frente de todos, e além do mais, já se passa tempo, anos. Você tem um sorriso lindo, claro, mas não é dele que eu preciso, tente me entender, sempre é preciso entender e eu sei que você deve estar farta disso, porém o que eu podia fazer? Parar na hora é tão difícil quanto começar, entende? Certo, não quero mais que você me entenda. Existe um ponto na vida em que uma opinião basta, e nesse caso é a minha. Óbvio que algum dia eu terei coragem para ser o suficientemente egoísta para que veja que eu posso mais, mas sim, como? Eu mais egoísta que você? Sim, você sempre tem razão. Claro que fui irônico! E você, quando é que não é cínica como uma cobra vã? Agora não me venha com esse teu sorriso tolo e essas lágrimas falsas, ah, não são falsas? Bom, de fato acredito, o negócio é que ando mais altivo, e fiz o que fiz então não sou digno do teu olhar faminto, me desculpe, faminto não... esse teu olhar de quem olha pelos nervos, de quem me prova, come e cospe os meus próprios olhos e eu não tenho chance alguma. Mas é o teu sorriso que. Ah, chega mais e esquece tudo, se roça na minha barba e finge que ainda me ama, que seremos juntos e que talvez estaremos até o fim da vida mesmo que você não acredite no futuro e nem em nada do que eu te digo, mas saiba que um dia eu tive palavra e você a aceitou e riu - com o teu riso molhado de algo como fruta, cítrico - riu porque me amava e por consequência acreditava em mim, ou seria o contrário? É, sim. Acreditava em mim e por isso me amava. É sempre assim. Mas, e agora que.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?