Pelo menos o recado não veio à noite. Ainda teve compostura. Deu tempo de pegar a capa e sair na chuva. Caminhar por entre as poças nem foi instigante como sempre o era. Foi mecânico, como seu pensamento. Tudo perdera o encanto. Ele que um dia a guiou numa estrada qualquer, ele que era ele. Que já não mais é.
Simplesmente não pode ser, não tem como ser, a verdade é mentira porque dói.
A verdade embaixo do pano, a tristeza vinda do maldito engano.
E agora, em quem confiar?
Mas a voz por entre os carros ainda diz: siga, menina. A vida é tua, o mundo é teu.
Pega uma flor, cheira e guarda. Isso era emprestado. As roupas não são suas, a imagem do espelho não é a mesma. A cama era emprestada, o dinheiro era dele, o dinheiro é sujo. Peça-lhe mais! É tão usual, tudo descartável. Menos as emoções, o apreço, a vontade, a admiração e o amor. Porém, ele pegou e assim o fez. Achou que o seu coração era falso, de plástico. E ela, derramou duas lágrimas. Não mais.
Ela sobre a capa permanece. É alí que deve ficar.
18.11.09
10.11.09
Isopor.
Você levanta cedo, não sabe que horas são, mas sabe que ainda a garoa molha e o sol nem nasceu direito por detrás dos montes da sua cidade.
Sabe que tem que levantar e tomar o café preto para que acorde, para que siga, para que vá e sorria. Sorrir para que ainda não morra, afinal, luta para que se viva. E cada dia mais não sabe por onde anda, para onde vão seus passos, mas tem certeza de que está próxima, de que se vem chegando e espera que ele não se vá.
Mais um dia conversa. Anda, senta, fala e hoje mais ouve. Somente ouve, ouve, ouve. Ouve tanto que seus ouvidos dóem, ouve tanto que quando fala sua voz é outra, ouve tanto que quando há o silêncio não sabe o que pensar.Porém, sabe que é para isso que existe hoje. Ouça e cale, talvez sorria. Deixe que andem, que mostrem, que falem, falem, falem, falem. Pois as palavras, hoje, não querem sentir o vento. As palavras, sempre, querem ser necessárias. As palavras só querem ser sentidas. Você só quer acordar mais um dia, o de hoje, amanhã talvez. Pois sabe da voz que há. Sabe que em algum lugar alguém canta, e você segue o som.Somente o som sentido sobre a sombra. No escuro há a voz, que se propaga neste propício ar.
Sabe que tem que levantar e tomar o café preto para que acorde, para que siga, para que vá e sorria. Sorrir para que ainda não morra, afinal, luta para que se viva. E cada dia mais não sabe por onde anda, para onde vão seus passos, mas tem certeza de que está próxima, de que se vem chegando e espera que ele não se vá.
Mais um dia conversa. Anda, senta, fala e hoje mais ouve. Somente ouve, ouve, ouve. Ouve tanto que seus ouvidos dóem, ouve tanto que quando fala sua voz é outra, ouve tanto que quando há o silêncio não sabe o que pensar.Porém, sabe que é para isso que existe hoje. Ouça e cale, talvez sorria. Deixe que andem, que mostrem, que falem, falem, falem, falem. Pois as palavras, hoje, não querem sentir o vento. As palavras, sempre, querem ser necessárias. As palavras só querem ser sentidas. Você só quer acordar mais um dia, o de hoje, amanhã talvez. Pois sabe da voz que há. Sabe que em algum lugar alguém canta, e você segue o som.Somente o som sentido sobre a sombra. No escuro há a voz, que se propaga neste propício ar.
27.10.09
O porta-retrato.
Ouviu o som da gaita de boca e por um instante lembrou de quem era, que quem sabe ainda seja. Chegou e achou tudo tão vazio, a cidade era a mesma - vazia como sempre, neutra, insípida - e percebeu que todos os lugares assim eram. Todos os lugares eram vazios, pois ela tinha um tanto tão grande de nada em sí mesma que tudo era reflexo. O mundo é sempre o espelho da alma, não necessariamente no córrego de um riacho, ou a olhar o céu. "-É porque assim foi feito!", disseram e ela não acreditou. Nunca acreditava. Não acreditava por simplesmente crer no que tinha em sí, porém agora que nada restava, o "não crer" era somente um descaso, uma preguiça.
Aos poucos foi notando o verde diferente de uma árvore.Aos poucos pegou um papel e rabiscou de giz.Lembrou do sorriso que dava, das meninices, dos animais branquinhos feito neve. Da gravidade que a fazia cair. Vazia. Pegou a terra, ouviu mais uma vez a gaita, buscou o violão,lembrou dele, do som dele, do cheiro dele, do sorriso dele,do medo dele, dele, dele, dele. Se viu na foto, quis ser ela. Ela que de tudo era nada, e que do pouco fez tanto.
Sorriu, teve sono. Dormiu sem precisar, perdeu tempo e ficou assustada.
Quis dizer mais a todos, falar que estava tudo bem e que as dores no tornozelo persistiam. " - As dores do tornozelo?!", perguntariam deveras assustados.
Ela diria que sim: " - As dores de quem cresce..." e olharia para baixo,com receio.
Moça pequena, todos ririam. E esqueceriam totalmente dos olhos que por um instante brilharam em busca de um assunto que lhe dava prazer. E esqueceriam de que viver é coisa de momento, e se ocupariam das frivolidades comuns. E teriam mais um dia, sem música, com sono, com timidez, com gritos, com sussurros e penas.
E um dia morreriam, depois dela posto que idade e tempo não fazem sentido.
A cidade continua vazia, ela está se enchendo de todos. Todos continuam fartos dela, mas ela cheia de algo que não se exprime. Talvez seja amor.
Aos poucos foi notando o verde diferente de uma árvore.Aos poucos pegou um papel e rabiscou de giz.Lembrou do sorriso que dava, das meninices, dos animais branquinhos feito neve. Da gravidade que a fazia cair. Vazia. Pegou a terra, ouviu mais uma vez a gaita, buscou o violão,lembrou dele, do som dele, do cheiro dele, do sorriso dele,do medo dele, dele, dele, dele. Se viu na foto, quis ser ela. Ela que de tudo era nada, e que do pouco fez tanto.
Sorriu, teve sono. Dormiu sem precisar, perdeu tempo e ficou assustada.
Quis dizer mais a todos, falar que estava tudo bem e que as dores no tornozelo persistiam. " - As dores do tornozelo?!", perguntariam deveras assustados.
Ela diria que sim: " - As dores de quem cresce..." e olharia para baixo,com receio.
Moça pequena, todos ririam. E esqueceriam totalmente dos olhos que por um instante brilharam em busca de um assunto que lhe dava prazer. E esqueceriam de que viver é coisa de momento, e se ocupariam das frivolidades comuns. E teriam mais um dia, sem música, com sono, com timidez, com gritos, com sussurros e penas.
E um dia morreriam, depois dela posto que idade e tempo não fazem sentido.
A cidade continua vazia, ela está se enchendo de todos. Todos continuam fartos dela, mas ela cheia de algo que não se exprime. Talvez seja amor.
26.10.09
Pensou como se voasse. Escreveu achando que palavras bonitas e bem postas expressam algo sublime: tudo o que se faz pensando no belo é falho, pois se é tangível. Sentir é mais do que viver e somente respirar. Garota, de nada servem as palavras se não sentidas. Palavras não se tocam, palavras são pensamentos, palavras fazem chorar.
Lágrimas falsas de plástico, que escondem o sentimento...Lágrimas sós, que escorrem por um belo rosto que mente e que calcula a beleza do não entender.
2.10.09
A chuva vem? Molha e brinca.
A estrada é longa? Pega a mão e segue.
Cansa? Senta e espera.
Que a vida é tua, que tudo brilha.
Sonhei por doze noites a fio o mesmo sonho. Andava numa longa estrada, talvez madrugada.
Sem rumo, sem rima. Sabia que andar era preciso, mesmo que lento. Cabelo ao alísio.
Sem medo, pois era assim que se guiava. Ensinaram-me assim: corre, espera o temor passar e sorri. Desperto.
Era ele tão seu, seu sonho era ele. Ele que de encanto e graça, morde e despedaça, tanto seu coração quanto sua alma. Enlaça, sobe e recua. A vida é tua! Calma, há tempo e jeito. A estrada prossegue, mesmo com vento. Com receio, que seja quente.
Saiba que estou esperando você, de dia de noite, sem hora e nem porquê.
Onde estiver que se faça presente. Volte logo, volte sempre 'pra mim.
A estrada é longa? Pega a mão e segue.
Cansa? Senta e espera.
Que a vida é tua, que tudo brilha.
Sonhei por doze noites a fio o mesmo sonho. Andava numa longa estrada, talvez madrugada.
Sem rumo, sem rima. Sabia que andar era preciso, mesmo que lento. Cabelo ao alísio.
Sem medo, pois era assim que se guiava. Ensinaram-me assim: corre, espera o temor passar e sorri. Desperto.
Era ele tão seu, seu sonho era ele. Ele que de encanto e graça, morde e despedaça, tanto seu coração quanto sua alma. Enlaça, sobe e recua. A vida é tua! Calma, há tempo e jeito. A estrada prossegue, mesmo com vento. Com receio, que seja quente.
Saiba que estou esperando você, de dia de noite, sem hora e nem porquê.
Onde estiver que se faça presente. Volte logo, volte sempre 'pra mim.
27.9.09
Se todos fossem iguais a você.
Liguei antes, no intervalo do jogo do time dele. Celular desligado.
Empate, jogo ruim, campo virado em poças. Pouco tenho pensado, afinal, trazer todos os meus inúmeros sentimentos, contestações e cores seria gastar tempo e buscar saudades.
Esperei, esperei. Esperar era tanto do que eu fazia, a hora às vezes chegava e eu tinha medo desse meu saber decor. Por mais que fosse diferente, eu sabia que igual mostraria uma face.
Mas eu andava, agora lentamente. Tentando não prever.
20:00h.
Resolvi ligar novamente, achei que já estaria dormindo, dormia cedo sempre.
Mas atendeu. Disse "alô" do jeito de sempre. A voz mais fatigada. Mais velho.
Corrompido, talvez. Perguntei sobre o tempo, como ia o trabalho, se tudo lá é mais caro, se a crise ainda lhe afeta. Como a saudade lhe dói, como o amor saía límpido da sua voz, como tudo ainda era dele. Por um tempo parei e me ví dançando com ele, no colo, mal andava. Mas ele comigo dançava, com ele eu caminhava e sorria. Com ele eu desenhava, mostrava, me escondia e ele me encontrava. Me chamava, eu ia. Por vezes corri, em poucas chorei.
O menininho que brincava com bonecas. Que ia pelo rumo, que um dia decidiu algumas coisas. Resolveu buscar algo, mesmo não sabendo ao certo que "algo" seria esse. E foi.
Hoje falavam como se fossem ambos da mesma idade, mesmo ele olhando para baixo.
Mesmo ela tendo as crises de medo do silêncio e não sabendo mais do que gosta de escutar.
Ele disse que era para eu ligar, sempre. Eu sabia da solidão, porém sou tão minha que esqueço o que me completa.
-Sim, ligarei sempre.
E a conversa mesmo com um adeus continuou, falamos mais coisas, sorri, me atrapalhei com as palavras.
E desliguei, desligamos.Com "boa noite", sem "boa sorte". Eu precisava.
Empate, jogo ruim, campo virado em poças. Pouco tenho pensado, afinal, trazer todos os meus inúmeros sentimentos, contestações e cores seria gastar tempo e buscar saudades.
Esperei, esperei. Esperar era tanto do que eu fazia, a hora às vezes chegava e eu tinha medo desse meu saber decor. Por mais que fosse diferente, eu sabia que igual mostraria uma face.
Mas eu andava, agora lentamente. Tentando não prever.
20:00h.
Resolvi ligar novamente, achei que já estaria dormindo, dormia cedo sempre.
Mas atendeu. Disse "alô" do jeito de sempre. A voz mais fatigada. Mais velho.
Corrompido, talvez. Perguntei sobre o tempo, como ia o trabalho, se tudo lá é mais caro, se a crise ainda lhe afeta. Como a saudade lhe dói, como o amor saía límpido da sua voz, como tudo ainda era dele. Por um tempo parei e me ví dançando com ele, no colo, mal andava. Mas ele comigo dançava, com ele eu caminhava e sorria. Com ele eu desenhava, mostrava, me escondia e ele me encontrava. Me chamava, eu ia. Por vezes corri, em poucas chorei.
O menininho que brincava com bonecas. Que ia pelo rumo, que um dia decidiu algumas coisas. Resolveu buscar algo, mesmo não sabendo ao certo que "algo" seria esse. E foi.
Hoje falavam como se fossem ambos da mesma idade, mesmo ele olhando para baixo.
Mesmo ela tendo as crises de medo do silêncio e não sabendo mais do que gosta de escutar.
Ele disse que era para eu ligar, sempre. Eu sabia da solidão, porém sou tão minha que esqueço o que me completa.
-Sim, ligarei sempre.
E a conversa mesmo com um adeus continuou, falamos mais coisas, sorri, me atrapalhei com as palavras.
E desliguei, desligamos.Com "boa noite", sem "boa sorte". Eu precisava.
22.9.09
Ela não se convencia da insensatez.Permanecia semeando ventos: tempestades não tardam, o tempo está abafado e logo chove. Da chuva torrencial, porque hoje a primavera inicia e as flores necessitam das suas falsas lágrimas, como falsos olhares, falsos sorrisos, e falsas palavras.
(Só quero te ter, e amar).
(Só quero te ter, e amar).
Assinar:
Postagens (Atom)
