Fim do ano é sempre a mesma coisa. Todo mundo em férias, todo mundo em pânico.
Todos fingem que se divertem, e nada passa de uma desculpa para bebedeiras autorizadas.
Acidentes de trânsito crescem: mesmo com a Lei Seca em vigor, muito babacas pensam que seus reflexos não serão afetados por uma cerveja. Aliás, cerveja é a fina-flor do verão, mesmo com um gosto horrível, com um cheiro nojento e com os péssimos efeitos, refresca mais que um suco de açaí. Calor é horrível. Calor é suado.
Enquanto vejo por aí frases como "ah, o verão!", fico imaginado o que há no... "verão". Há calor, há pernas, peitos, barrigas à mostra. Há sorrisos, há praia. Há mentira e falsidade.
Há 'namoros' descompromissados, TUDO sem consequência. Há desespero e saudades.
Brasileirismos tropicalientes.
Músicas da moda que embalam o carnaval. Bom, não diria "músicas", diria ruídos terríveis cantados por um povão que não entende que tudo não passa de uma manipulação de massas.
E segue a exposição exacerbada do corpo humano, imundo.
E seguem as pessoas felizes enquanto eu não sei ao certo o que quero, sabendo que quanto mais eu busco, mais procuro saber, mais fico consciente de que o sorriso é mera manifestação de momento, e que a felicidade do povo dos trópicos é tão fictícia, tão distante, tão contagiante.
Me pego batucando alguma marchinha de vez em quando. Dando uns passinhos ensaiados, sabendo alguma dessas músicas onde eles praticam uma lavagem cerebral.
Me apaixonando e olhando o mar. Escrevendo alguma coisa boêmia, lembrando dele.
Ele que faz meu mundo parecer uma espera, com a plena certeza de que os pensamentos não são recíprocos.
Da minha vida eu que sei, o meu sol brilha com compostura no verão.
O calor é esquecido com Los Hermanos, andando sob a brisa. Voando ao longe a minha poesia, que é quente, afinal o inverno ainda está longe, meu bem.
E você também.
28.12.08
25.12.08
É natal e o dia continua monótono.
É natal, e talvez hoje esteja mais triste do que ontem.
É natal, e os problemas, os sonhos, as manias são as mesmas.
É natal, ninguém rezou, ninguém lembrou do Cristo.
É natal, e todos sabemos que é uma farsa.
É natal, e eu sinto saudades.
Da nostalgia que corrói, do vício em que entramos,
da vida que não deu certo.
Da resposta que espero, do medo que penso não sentir.
Das músicas que ouço... da lembrança que não quero ter.
Do sentimento que não mais perdura.Dos dias que não passam,
da febre que eu sinto.
De tudo que eu ainda não ví...
Que os nobres dias dourados cheguem com seus lampejos, de onde ele vem com seu sorriso franco querendo dizer aquilo que não existe, desejando algo tão longe.
Seu coração está onde seu tesouro estiver.
Tudo tão perto, meu bem.
As distâncias abismais se projetam em espaços ínfimos, principalmente.
Não cave o nosso próprio precipício, somos tão jovens e o mundo é tão efêmero.
A morte é tão linda, e temos pouco tempo... Pouco tempo entre a escolha e a redenção,
entre a liberdade e o danação. Entre isso e aquilo.
Ainda é natal e você não veio.
É natal, e talvez hoje esteja mais triste do que ontem.
É natal, e os problemas, os sonhos, as manias são as mesmas.
É natal, ninguém rezou, ninguém lembrou do Cristo.
É natal, e todos sabemos que é uma farsa.
É natal, e eu sinto saudades.
Da nostalgia que corrói, do vício em que entramos,
da vida que não deu certo.
Da resposta que espero, do medo que penso não sentir.
Das músicas que ouço... da lembrança que não quero ter.
Do sentimento que não mais perdura.Dos dias que não passam,
da febre que eu sinto.
De tudo que eu ainda não ví...
Que os nobres dias dourados cheguem com seus lampejos, de onde ele vem com seu sorriso franco querendo dizer aquilo que não existe, desejando algo tão longe.
Seu coração está onde seu tesouro estiver.
Tudo tão perto, meu bem.
As distâncias abismais se projetam em espaços ínfimos, principalmente.
Não cave o nosso próprio precipício, somos tão jovens e o mundo é tão efêmero.
A morte é tão linda, e temos pouco tempo... Pouco tempo entre a escolha e a redenção,
entre a liberdade e o danação. Entre isso e aquilo.
Ainda é natal e você não veio.
21.12.08
Go away from my window.
Já se foi uma semana, e anos se passam na minha cabeça.
A sua falta se tornar insuportável é quase inadmissível. Eu nem amo você.
Oito dias são oito décadas sem o teu sorriso falso de quem é triste.
Teu olhar é luz nas minhas noites de insônia, sem sono, sem você.
Da janela do seu quarto eu veria o crepúsculo, da janela do seu quarto eu veria a cidade, veria as ruas e as pessoas. Mesmo se fosse domingo, nós íamos preferir o sábado, ou a terça.
Mesmo se fóssemos os primeiros, seríamos os últimos, pois é assim que somos.
É domigo, e é quase natal. Você está muito mais longe do que sempre esteve, e não sei se é saudade.
Não posso mais saber, não ouso.
É só a distância, e há um mês incerto, ainda.
Não gostamos do calor, o verão nos dá calafrios.
- Vem no inverno, talvez neve.
Talvez eu ainda esteja aqui, e quem sabe você ainda seja ele.
Pois mesmo com distâncias e tempestades, seremos nós. Gostaria de uma promessa, mas não tenho palavra.
Não tenho um "mim mesma", seria audácia ser alguém enquanto você vive.
Dorme e sonha, espero a chuva enquanto você vê o sol nascer mais tarde.
Espero um sorriso e - quem sabe! - mais uma música que expresse o que eu sinto, mesmo que não seja rock'N'roll, meu bem.
Mesmo que eu não sinta mais nada.
Mesmo que te queira com todo o meu corpo, mesmo que eu pense em ti ininterruptamente, mesmo que eu espere o seu retorno com as forças que ainda me restam, mesmo que eu seja só tua sempre, sempre...Mesmo não amando mais você, mesmo sempre te expulsando.
Eu te espero. Espero que me queira.
Dissimulo.
A sua falta se tornar insuportável é quase inadmissível. Eu nem amo você.
Oito dias são oito décadas sem o teu sorriso falso de quem é triste.
Teu olhar é luz nas minhas noites de insônia, sem sono, sem você.
Da janela do seu quarto eu veria o crepúsculo, da janela do seu quarto eu veria a cidade, veria as ruas e as pessoas. Mesmo se fosse domingo, nós íamos preferir o sábado, ou a terça.
Mesmo se fóssemos os primeiros, seríamos os últimos, pois é assim que somos.
É domigo, e é quase natal. Você está muito mais longe do que sempre esteve, e não sei se é saudade.
Não posso mais saber, não ouso.
É só a distância, e há um mês incerto, ainda.
Não gostamos do calor, o verão nos dá calafrios.
- Vem no inverno, talvez neve.
Talvez eu ainda esteja aqui, e quem sabe você ainda seja ele.
Pois mesmo com distâncias e tempestades, seremos nós. Gostaria de uma promessa, mas não tenho palavra.
Não tenho um "mim mesma", seria audácia ser alguém enquanto você vive.
Dorme e sonha, espero a chuva enquanto você vê o sol nascer mais tarde.
Espero um sorriso e - quem sabe! - mais uma música que expresse o que eu sinto, mesmo que não seja rock'N'roll, meu bem.
Mesmo que eu não sinta mais nada.
Mesmo que te queira com todo o meu corpo, mesmo que eu pense em ti ininterruptamente, mesmo que eu espere o seu retorno com as forças que ainda me restam, mesmo que eu seja só tua sempre, sempre...Mesmo não amando mais você, mesmo sempre te expulsando.
Eu te espero. Espero que me queira.
Dissimulo.
3.12.08
Sobre.
Ainda tinha os olhos de ver aquilo que não se via pequenos demais para o combate entre os corações e almas que esperavam perpetuamente algum sentido na vida.
Estudara em demasia a sua ficção mundana: ver o que é real lhe perturbava a mente, pois, quando se toca, se usa o sentido do tato, a visão é mera coincidência, afinal, as cores da Terra são foscas perto daquela que lhe espera, do outro lado.
Queria ver além do espelho de moldura dourada que ganhara não se sabe de quem - suas lembranças também estavam sendo enfraquecidas pela batalha - tinha ância de saber quem era a menina pequena que se fazia moça com seus longos cabelos cor de carvalho. Ela seria um alguém, caso a batalha fosse vencida e pudesse ver - agora com olhos reais - a Deusa que almeja sua presença, pois eram todas deusas, todas mulheres, invencíveis e leais.
O carvalho que copiava seu cabelo tinha energias reconfortantes; esperava a lua que lhe banharia. Estava a sugar energia da natureza, sua mãe, sua guia.
Chegava a hora e cada passo era uma eternidade aparente, pois já não sabia o que era o tempo. O tempo era ocupado por vôos de aves, as únicas rápidas e certas, feito o grito que em seu peito pulsava. _ Eu ainda sou nova demais para a vida! dizia, mas nascera também de um grito, e o tempo não lhe perguntava quem era sua mãe.
O tempo não diria quantos anos tinha, afinal, a inexistência de uma certeza era o sublime sabor do mistério, viveria até morrer, mas era a morte em vida que ela esperava.
Na batalha ninguém jamais a apunhalaria, era somente ela e a circunstância - irmãs de longa data - e o céu ao seu redor, temendo chover, querendo aparecer seu Sol.
Com magia de olhar teve sua revelação, sendo que cada suspiro lhe parecia uma espada no ventre, tudo se transforma numa mente sombria, onde as estrelas tomam o lugar das casas, e cada rua é um fio brilhante sem som. Ninguém à espreita, ninguém à espera.
Se transforma, gira e chove.
Com trêmulas mãos, a Deusa que era ela mesma, veste seu manto púrpura sobre o céu que agora amanhecia azul, mas com lendárias estradas de nuvens no seu torpor magnífico na atmosfera cintilante.
O silêncio ainda habita seu peito, seu coração ainda não conhece a morte.
Mas ainda há tempo, que se transfigura, não se revela.
Deusa de carvalho, impede a lenda da vida única.
Estudara em demasia a sua ficção mundana: ver o que é real lhe perturbava a mente, pois, quando se toca, se usa o sentido do tato, a visão é mera coincidência, afinal, as cores da Terra são foscas perto daquela que lhe espera, do outro lado.
Queria ver além do espelho de moldura dourada que ganhara não se sabe de quem - suas lembranças também estavam sendo enfraquecidas pela batalha - tinha ância de saber quem era a menina pequena que se fazia moça com seus longos cabelos cor de carvalho. Ela seria um alguém, caso a batalha fosse vencida e pudesse ver - agora com olhos reais - a Deusa que almeja sua presença, pois eram todas deusas, todas mulheres, invencíveis e leais.
O carvalho que copiava seu cabelo tinha energias reconfortantes; esperava a lua que lhe banharia. Estava a sugar energia da natureza, sua mãe, sua guia.
Chegava a hora e cada passo era uma eternidade aparente, pois já não sabia o que era o tempo. O tempo era ocupado por vôos de aves, as únicas rápidas e certas, feito o grito que em seu peito pulsava. _ Eu ainda sou nova demais para a vida! dizia, mas nascera também de um grito, e o tempo não lhe perguntava quem era sua mãe.
O tempo não diria quantos anos tinha, afinal, a inexistência de uma certeza era o sublime sabor do mistério, viveria até morrer, mas era a morte em vida que ela esperava.
Na batalha ninguém jamais a apunhalaria, era somente ela e a circunstância - irmãs de longa data - e o céu ao seu redor, temendo chover, querendo aparecer seu Sol.
Com magia de olhar teve sua revelação, sendo que cada suspiro lhe parecia uma espada no ventre, tudo se transforma numa mente sombria, onde as estrelas tomam o lugar das casas, e cada rua é um fio brilhante sem som. Ninguém à espreita, ninguém à espera.
Se transforma, gira e chove.
Com trêmulas mãos, a Deusa que era ela mesma, veste seu manto púrpura sobre o céu que agora amanhecia azul, mas com lendárias estradas de nuvens no seu torpor magnífico na atmosfera cintilante.
O silêncio ainda habita seu peito, seu coração ainda não conhece a morte.
Mas ainda há tempo, que se transfigura, não se revela.
Deusa de carvalho, impede a lenda da vida única.
2.12.08
Todo encanto dessa moça.
Ela me fala da sua alegria, eu lhe conto a minha tristeza.
Sinto o cheiro da chuva que ela menciona, e me molho em lágrimas... das saudades dela, da emoção com o mundo.Do amor que se há entre ela e a dança das borboletas, sobre o samba que ela canta, com mais saudade, com mais letra de amor.
A sua letra separada - caligrafia perfeita - da minha menina, sua doce calma.
Seus olhos de contemplação, sua plácida sabedoria... Me encanta.
Dança, me mostra sua felicidade sozinha.
Quero ver sua lasca de esmalte vermelho intenso, seu sorriso sem jeito.
Sentir novamente, e cantar nossas músicas abraçadas na rua.
Na rua é que é só nossa, pois és quem manda no meu dezembro.
Moça, por favor, cuida bem de mim.
Sinto o cheiro da chuva que ela menciona, e me molho em lágrimas... das saudades dela, da emoção com o mundo.Do amor que se há entre ela e a dança das borboletas, sobre o samba que ela canta, com mais saudade, com mais letra de amor.
A sua letra separada - caligrafia perfeita - da minha menina, sua doce calma.
Seus olhos de contemplação, sua plácida sabedoria... Me encanta.
Dança, me mostra sua felicidade sozinha.
Quero ver sua lasca de esmalte vermelho intenso, seu sorriso sem jeito.
Sentir novamente, e cantar nossas músicas abraçadas na rua.
Na rua é que é só nossa, pois és quem manda no meu dezembro.
Moça, por favor, cuida bem de mim.
1.12.08
Daquilo que eu sempre quis dizer.
Eu ainda sinto saudades. Talvez seja a única coisa que me resta, afinal, lembrar daquelas pessoas que estão distantes é como retribuir algum sentimento tão conspícuo - mesmo que diminuto- sem fazer muito esforço.Lembrar é sempre útil, e exaspera a responsabilidade.
Eu ainda sorrio, mesmo que de modo insano para esconder o que é real.
Ainda falo com as mesmas pessoas, sobre certas coisas que eu finjo me importar.
Agora olho com os olhos que cultivei: nada de flores, tão-somente as tóxicas.
Agora não preciso de explicações, não necessito daquelas discussões sem nexo.
Não quero te provar nada, nem amenizar aquelas faltas que só eu cometo.
Não mais preciso da compreensão alheia, por simplesmente também não querer compreender.
Por não se ter, não precisar, não querer manter.
Ser somente o que se soma.
Sozinha.
Ver o crepúsculo, como se fosse a única. Sentir a brisa, sem precisar fechar os olhos.
Analisar você, odiar e amar, doer.
Porque não sentir é para os fracos, amor. Não mais quero ser um nós, sempre fui tão eu.
Não quero me perder.I need air.
Eu ainda sorrio, mesmo que de modo insano para esconder o que é real.
Ainda falo com as mesmas pessoas, sobre certas coisas que eu finjo me importar.
Agora olho com os olhos que cultivei: nada de flores, tão-somente as tóxicas.
Agora não preciso de explicações, não necessito daquelas discussões sem nexo.
Não quero te provar nada, nem amenizar aquelas faltas que só eu cometo.
Não mais preciso da compreensão alheia, por simplesmente também não querer compreender.
Por não se ter, não precisar, não querer manter.
Ser somente o que se soma.
Sozinha.
Ver o crepúsculo, como se fosse a única. Sentir a brisa, sem precisar fechar os olhos.
Analisar você, odiar e amar, doer.
Porque não sentir é para os fracos, amor. Não mais quero ser um nós, sempre fui tão eu.
Não quero me perder.I need air.
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