Ar. Sem ar.
Respirar.
Me move como se fosse sonho. Andamos como se fôssemos somente um. Um alguém, que nada tem, pois de nada se precisa.
Jamais houve uma sensação semelhante: as hipérboles tornam-se reais quando balbuciadas pelos lábios almejados. (pelo beijo que eu sempre esperei, mesmo sabendo e querendo não ver).
Sei dos seus olhos, sei do teu brilho, amor.
Sei das luzes que aparecem sem querer quando venta.
Sei das tuas palavras, mesmo sendo exclusivas, mesmo sendo novas: parte de mim, escondida.
Querer somente o tempo, para que o próprio tempo não nos devore em segundos, em números.
Beija-flor voar. Nosso ritmo, teu ritmo que é meu. Céu azul, sem nuvens.
Paradoxo: não há o que separar, pois de unidos feitos, a matéria condensa, as palavras nos vêm e só quero segurar a sua mão fria.
Divagações oblíquas de um coração guiado, hoje, se assemelham a um calor sentido quando o peito se dói pelo frio passado em muitos dias de tormenta.
Hoje paz. Hoje só você.
Somente você.
Nada mais.
2.7.09
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