8.7.09

Pai, mãe, eu vou partir.

Mais uma vez choveu.
A moça, só, sonhou que as ruas eram doces. Após a chuva, intensa como o brilho dos olhos daquele seu novo amor, um arco-íris se fez: passaram por debaixo dele, vendo suas cores, espectros, nuvens. Sabe-se lá o que se tem do outro lado do arco-íris. Sabe-se lá aonde se vai chegar.
As estações passam depressa demais, e o tempo deveria ser imóvel enquanto a moça brincava de ver móbiles.Pensava em ouvir músicas, e almejava aquela poesia inconstante - aquela que sempre deseja alcançar.
Por um instante parou e viu quão cinza era o mundo que estava ao seu redor. -Que vasto! Pensou olhando para baixo, já cansada. Deveria continuar, ela bem sabia.
Queria ainda mais um dia ver o sol pela janela, sem lembrar do retorno trépido que lhe era inevitável. Seu vestido esvoaçante, naquele tempo morno, com flores nascendo ternas.
Ver o circo em frente à casa, ser palhaço -oh mãe!- voar.
Mas era cedo. Era cedo para suspiros longos de trabalho feito. Tinha que lutar, ainda, mais uma vez, partir.
Partir, pois das chegadas se batem os corações. Pois ainda era jovem, mesmo velha, e conhecia o arfar das borboletas. Comia do seu pó, bebia daquela sede.
Amava, pois só de amor se cresce. Só com a sua luta, com suas saudades, se vive.

Vive com tua alma, oh doce menina dos olhos de mel.
Transparece, enloquece.
Desaparece.

0 comentários: