27.9.09

Se todos fossem iguais a você.

Liguei antes, no intervalo do jogo do time dele. Celular desligado.
Empate, jogo ruim, campo virado em poças. Pouco tenho pensado, afinal, trazer todos os meus inúmeros sentimentos, contestações e cores seria gastar tempo e buscar saudades.
Esperei, esperei. Esperar era tanto do que eu fazia, a hora às vezes chegava e eu tinha medo desse meu saber decor. Por mais que fosse diferente, eu sabia que igual mostraria uma face.
Mas eu andava, agora lentamente. Tentando não prever.
20:00h.
Resolvi ligar novamente, achei que já estaria dormindo, dormia cedo sempre.
Mas atendeu. Disse "alô" do jeito de sempre. A voz mais fatigada. Mais velho.
Corrompido, talvez. Perguntei sobre o tempo, como ia o trabalho, se tudo lá é mais caro, se a crise ainda lhe afeta. Como a saudade lhe dói, como o amor saía límpido da sua voz, como tudo ainda era dele. Por um tempo parei e me ví dançando com ele, no colo, mal andava. Mas ele comigo dançava, com ele eu caminhava e sorria. Com ele eu desenhava, mostrava, me escondia e ele me encontrava. Me chamava, eu ia. Por vezes corri, em poucas chorei.
O menininho que brincava com bonecas. Que ia pelo rumo, que um dia decidiu algumas coisas. Resolveu buscar algo, mesmo não sabendo ao certo que "algo" seria esse. E foi.
Hoje falavam como se fossem ambos da mesma idade, mesmo ele olhando para baixo.
Mesmo ela tendo as crises de medo do silêncio e não sabendo mais do que gosta de escutar.
Ele disse que era para eu ligar, sempre. Eu sabia da solidão, porém sou tão minha que esqueço o que me completa.
-Sim, ligarei sempre.
E a conversa mesmo com um adeus continuou, falamos mais coisas, sorri, me atrapalhei com as palavras.
E desliguei, desligamos.Com "boa noite", sem "boa sorte". Eu precisava.

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