Você levanta cedo, não sabe que horas são, mas sabe que ainda a garoa molha e o sol nem nasceu direito por detrás dos montes da sua cidade.
Sabe que tem que levantar e tomar o café preto para que acorde, para que siga, para que vá e sorria. Sorrir para que ainda não morra, afinal, luta para que se viva. E cada dia mais não sabe por onde anda, para onde vão seus passos, mas tem certeza de que está próxima, de que se vem chegando e espera que ele não se vá.
Mais um dia conversa. Anda, senta, fala e hoje mais ouve. Somente ouve, ouve, ouve. Ouve tanto que seus ouvidos dóem, ouve tanto que quando fala sua voz é outra, ouve tanto que quando há o silêncio não sabe o que pensar.Porém, sabe que é para isso que existe hoje. Ouça e cale, talvez sorria. Deixe que andem, que mostrem, que falem, falem, falem, falem. Pois as palavras, hoje, não querem sentir o vento. As palavras, sempre, querem ser necessárias. As palavras só querem ser sentidas. Você só quer acordar mais um dia, o de hoje, amanhã talvez. Pois sabe da voz que há. Sabe que em algum lugar alguém canta, e você segue o som.Somente o som sentido sobre a sombra. No escuro há a voz, que se propaga neste propício ar.
10.11.09
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário