18.11.09

Pelo menos o recado não veio à noite. Ainda teve compostura. Deu tempo de pegar a capa e sair na chuva. Caminhar por entre as poças nem foi instigante como sempre o era. Foi mecânico, como seu pensamento. Tudo perdera o encanto. Ele que um dia a guiou numa estrada qualquer, ele que era ele. Que já não mais é.
Simplesmente não pode ser, não tem como ser, a verdade é mentira porque dói.
A verdade embaixo do pano, a tristeza vinda do maldito engano.
E agora, em quem confiar?

Mas a voz por entre os carros ainda diz: siga, menina. A vida é tua, o mundo é teu.

Pega uma flor, cheira e guarda. Isso era emprestado. As roupas não são suas, a imagem do espelho não é a mesma. A cama era emprestada, o dinheiro era dele, o dinheiro é sujo. Peça-lhe mais! É tão usual, tudo descartável. Menos as emoções, o apreço, a vontade, a admiração e o amor. Porém, ele pegou e assim o fez. Achou que o seu coração era falso, de plástico. E ela, derramou duas lágrimas. Não mais.
Ela sobre a capa permanece. É alí que deve ficar.

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