Eu ouvi os passos na minha velha rua, isso fez com que eu levantasse a cabeça da janela, olhasse para frente e visse uma sombra.
Uma sombra. Esse sol estranho que tem aparecido ultimamente... Desgasta. Abafa. E no fim da tarde as gotas de chuva insistem em cair. Pesadas, tortuosas. O vento que deveria vir forte fica, e o ar sobe da estrada, das pedras da minha rua.
A sombra que passa torta me faz triste. A sombra me faz ter uma saudade.
Saudade das crianças que corriam, que faziam um barulho estridente, brigavam e tinham paz. Saudade de um pai, de uma mãe. E até de umas irmãs. Saudade de uma família, da casa que vem deteriorando, dos gatos. Até o céu que abriga esse estranho sol está diferente. Até a chuva, o mundo, os humanos.
A dor hoje é distinta, os caminhos mais pesados e lentos. As decisões fartas de seriedade. A seriedade pingando sangue do coração.
O fim, a decepção, a insônia e a falta de quê.
Falta de um se.
19.2.10
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