20.2.10

Pela primeira vez nós resolvemos ficar em casa.Em verdade, isso parecia uma lição. Estávamos tão assustadas que o medo nos deixou aqui. Ela se foi sem se virar ao ouvir um "eu te amo", porque talvez um amor maior a guiasse. Talvez aquele amor dos filmes, aquele que é "cego", viciante.

Pois bem, deitada eu pensei em palavras. Na força que elas têm. Destróem e constróem, e muitas vezes eu sei que deveria ficar em silêncio por uma eternidade. Quem sabe se eu somente ouvisse...porém elas pairam lindamente sobre os meus ombros e sopram sua essência no meu ouvido.Não há como negá-las.
A negação de 'viajar' deslocou algo dentro de mim. Mexeu com um orgulho e dois egoísmos. Mas também foi amor. Ultimamente tenho ouvido meu coração quebrar, em baixa pressão:10x5. Quem foi que disse que o quê ouvimos do nosso coração são icessantes marteladas a partí-lo? Sempre concordei, plenamente. A morte vindo com seu martelo, acabando com os corações.

Desde sempre a sua palpitação tivera problemas: l e e e ntamente. Devagar demais, com problemas. E ontem, quem sabe, tenha chegado ao seu ápice da lentidão. Pensei eu, portanto, que quando algo tem muito peso a dificuldade de locomoção é muito maior. O coração dele era pesado demais, e nos fez temer. Nos fez negar, inclusive àquela que tinha o mais leve coração do mundo. Tudo é uma simples questão de batimento, e não poderíamos ser mais um fardo para aquele denso coração.
Ficamos e agora o meu próprio coração era muitos: vária partes, partidas, sangrando e lembrando.
As palavras que penso, felizmente, fazem com que eu pare de ouvir as marteladas. Me sopram e conduzem: o silêncio é a morte.
E por isso fiquei, pois minha hora de ouvir o completo silêncio não é agora.

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