As pessoas tendem a pensar que são diferentes do que são: vêem sob suas perspectivas; às vezes são grandiosas, mas com humildade voltam-se às pequenices diárias, em outras, são pequeninas e pensam que suas vidas são maiores. Outras sabem que vivem de modo reles, que são como um som diminuto, porém fazem de sua rotina algo grande. Conquanto, pessoas, normalmente não pensam sobre isso, e vão por aí, sem pensar.
É sobre uma dessas pessoas pequenas "de cabeça" - talvez grande de coração - que vou falar um pouco. Narf. Narf e seu mundinho.
Como já disse, Narf se enquadra nas pequenas pessoas, de pequena realidade, e o que é pior: pequena visão do futuro. Narf pensa que o futuro está longe e que o tempo não passa, em verdade, no seu mundo o tempo corre de maneira diferente, o que, querido leitor, é grande vantagem para a pequena Narf.
Seu tempinho é suficiente para o seu banho longo e quente de todos os dias. Seu tempo é suficientezinho para algumas besteiras que fala.
Narf estuda pela manhã, se "prepara" para uma prova muito muito muito grande em importância na vida de todas as pessoas de seu mundinho. Ela consegue se locomover até lá (não todos os dias, porque a cama lhe pega pela perna e a indiponibiliza de sair de sua quente casa) com dores. Narf sente terríveis dores de cabeça, t o d o s os l o n g o s dias. Pelas tardes, ela fica em casa. Fazendo o quê? Narf toma seu banho, é claro. Faz suas unhas, às vezes vê um filme. Come. E reclama.
Passa tanto tempo sozinha trancada em seu quarto que quando sai estranha a luz. E suas terríveis dores de cabeça a apunhalam mais.
Quem sabe quanto mede a dor? Narf sabe. E as suas dores de cabeça estão em um grau 10, quando se mede de... 0 a 10.
As dores alheias nada são perto das SUAS terríveis dores na sua pequenina cabecinha.
À noite, Narf trabalha. Com esse trabalho Narf ganha o suficiente para pagar suas contas de casa e para os SEUS remédios. O trabalho, então, serve para Narf manter-se em pé.
Ela rí de coisas que não tem graça. "Quem entende a Narf?!".Narf gosta de livros quando viram filmes, pois é mais fácil assistir do seu quarto os filmes dublados, as imagens, enfim.
Narf vive o hoje, logo se mantém em pé. Narf não sabe o que será do amanhã, tampouco quer saber. Ela não se importa em ficar a vida toda se mantendo tão somente em pé. 'Caminhar para quê?' - pensa a sua cabecinha.
Existem os que voam ao invés de caminhar, esses são lunáticos, estudam, loucos. Narf tem medo dos que caminham e considera os voadores insanos. Estudar para voar? Ela prefere continuar em pé.
Com esse seu pensamentozinho, Narf prossegue no seu mundinho. Narf não sabe o que prestar na prova - tanto faz! eu estou em pé... - pensa ela com seus olhinhos míopes.
Mal sabe que o tempo passa em qualquer mundo. Mal sabe que louca pode ser ela, pois defenestra o saudoso tempo.
Mas Narf tem alguns amigos e sonha com um vampiro de filme. E, talvez, tenha um grande coração.
Narf precisa ir ao médico para saber o porquê de suas terríveis dores de cabeça grau 10. O que será que ela (não) tem na cabeça? Pensa ela que carrega informações demais... Porém, a cabeça é uma máquina, não existe isso de "guardar muita coisa", apesar de ela pensar que sim. Falta, em Narf, um ideal. Narf tem somente um início de ideia, e isso palpita incessantemente em sua cabeça.
O que fazer para Narf conseguir saber que ideia é essa? Como Narf encontrará seu futuro e aproveitará o tempo? E consequentemente encontrará a saída para suas dores de cabeça?
(continua...)
20.7.10
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2 comentários:
OLá,
muito interessante suas postagens. Me chamou atenção a personagem Narf, esse nome faz alusão a que?
Grata
Responda se puder
Atenciosamente Fran
Faz alusão à personagem, tão somente, ora essa. Resposta dada, Fran Anônima. :)
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