5.12.10

- Mas o que tem no domingo, moça?
- Domingo é denso. No espectro das cores seria o vermelho: ondas com menores frequências, maior comprimento de onda. Demora para passar, e até, por vezes, danifica. Domingo é dia de spleen.

A moça tinha algo que as demais não tinham, era difícil prever.
Com seus olhos que olhavam demais. Com seus olhos de cor azul, meio verde. Seus olhos que olhavam o verde e o azul. Porém, o vermelho de domingo...Spleen. Quem gostava dos domingos, Deus? Por que descansaste justamente neste dia? Por que havia este mito, de que Deus seria como nós, humanos, que cansam em um domingo vermelho?
Mas essa moça sabia que era mito, ou gostaria de desvendar da onde provém os mitos. Queria desconfiar. Porém, quem notava isso nos doces olhos dessa moça?
Ela não se parecia com ninguém, por mais que tivesse alguém com uma cópia do seu DNA.
Ela se parecia tão somente consigo mesmo, e pensava, oh! pensava tanto essa moça.
No seu silêncio ela perguntava secretamente ao Sol por que ele nascia todos os dias. E se esse "nascer" deveria assim se chamar. Gostava que aquecesse, mas amava também a chuva. Desde criança olhava as nuvens e dizia: - como chovem vocês?
Era diferente, essa moça. Era única e contrária aos domingos: era suave, violeta, e tinha uma sacada no quarto para ver ainda mais além.

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