- Destino? Mas você acredita em destino?
- Acreditei que ficaríamos sempre juntos, sim. Não que fosse um destino. Não que estivesse escrito. Era somente algo em que eu pensava. Nós, na nossa casa, na tranquilidade de uma vida amena. Não imaginava que ela fosse interferir dessa maneira.
- É melhor não falar dela. Você sabe muito bem que nada tenho com aquela mulher, que só uma amizade e afinidades embalam nossos dias. Nenhum beijo, nenhum toque: teu corpo, meu bem, é muito mais envolvente. Teu olhar como céu é sem fim. Mas eu não sinto mais esperança, bom...(tosse) não é bem esperança, é uma espécie de vontade de te ver, de te levar pra jantar que não mais existe. Entende? Eu só queria falar que a expectativa, que o encanto se foi. Mas não queria ter feito o que fiz, jamais me passaria pela cabeça. Enviesado que sou.
- Não existe problema. Existe perdão. E te abençoo. Te abençoo porque existiu o amor. Porque ainda talvez te ame, inclusive. Porque eu sei que há o mal, que há a dor e a tua imaturidade abominável. Sei que és tão somente um menino assustado com sentimentos, e ah! Sinto pena e lhe abençoo.
Fique em paz.
(Desatinei, como sempre fazia. Louco que sou. Problemático. Pessimista. Sem amigos verdadeiros, sem amor de verdade, sem um futuro em que eu possa chamar de meu. Quem é que sou eu?)
8.1.11
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